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Penso que cresci, que amadureci. Já não me envaidecem os elogios e nem me ferem os desaforos, criticas e avaliações negativas. O espelho me mostra um cara que só eu conheço. O vejo todas as manhãs, na mais dura das realidades. O vejo momentos antes do telejornal. Ele passa um pó translúcido para tirar o óleo da pele e as imperfeiçoões que o tempo gera. Se os telejornais fossem verdadeiros... mas tudo tem uma razão ou um interesse de ser. Esse cara agora sabe disso. Levou tempo e o tempo levou muitas coisas. Muitas ficaram, amareladas, desgastadas, moídas pelas lutas e secas pelas tantas ventanias. Só os sonhos não desertaram. Ainda estão verdes e são a única ponte entre aquele e este cara. O espelho corta, em cacos, uma vida de reflexos e reflexões sobre navalhas, espadas e estradas incertas. O que ele mostra está tudo refletido em mim.
Escrito por demer moreno às 19h06
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