Demerval Moreno Every Blog
   Ninguém toma o lugar de ninguém. Até porque ninguém tem um lugar. Emprego não é lugar, casa não é lugar, cidade não é lugar. Um dia você muda de emprego, no outro vende a casa e, dependendo das circunstâncias, vai embora da cidade. E vai para onde? Para outro lugar? Vai para onde for preciso ou para onde precisam de você. O importante é ter em mente que o lugar é onde você está agora, neste exato momento. Temos que pensar e agir como o rio. O rio não é de um lugar. O rio passa. O rio vem. O rio vai. Os rios voltam? às vezes não dá para ser como um rio. Eu rio, você ri, nos rimos, nos rimamos, nos remamos. às vezes, contra a correnteza. É confortávelmente perigoso deixar-se levar pela correnteza. Para qualquer lugar. Desde que se passe nele apenas o suficiente para que ele não seja seu.

Escrito por demer moreno às 10h54
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Encontrei uma razão esses dias e estou vivendo por conta dela. Ela é tudo que tenho nesse instante. Se perde-la, vou procurar por outra. Paixões tem prazo de validade. Algumas são como as CPMF's, que foram decretadas para ser provisórias e viraram permantentes. Que esta seja louca, longa e lúdica, pra que eu possa vive-la ao máximo. É mínimo que posso fazer!!!



Escrito por demer moreno às 12h33
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Penso que cresci, que amadureci. Já não me envaidecem os elogios e nem me ferem os desaforos, criticas e avaliações negativas. O espelho me mostra um cara que só eu conheço. O vejo todas as manhãs, na mais dura das realidades. O vejo momentos antes do telejornal. Ele passa um pó translúcido para tirar o óleo da pele e as imperfeiçoões que o tempo gera. Se os telejornais fossem verdadeiros... mas tudo tem uma razão ou um interesse de ser. Esse cara agora sabe disso. Levou tempo e o tempo levou muitas coisas. Muitas ficaram, amareladas, desgastadas, moídas pelas lutas e secas pelas tantas ventanias. Só os sonhos não desertaram. Ainda estão verdes e são a única ponte entre aquele e este cara. O espelho corta, em cacos, uma vida de reflexos e reflexões sobre navalhas, espadas e estradas incertas. O que ele mostra está tudo refletido em mim.  



Escrito por demer moreno às 19h06
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Todas as vias

 

O futuro é um espelho no escuro. Vivemos numa bola de cristal. Planeta frágil, belo, lúdico. A previsão do tempo na televisão diz se vai chover ou não. Não há mais destino que não se conheça. Porém o futuro é um espelho no escuro. Temos o infinito pela frente, mas o azul que vemos é uma ilusão de ótica, num mundo de ilusórias idéias e planos e projetos. É tudo horizonte, aurora boreal. Vemos o que desejamos ver. Vislumbramos o amanhã, mas ele só chega abraçado com um novo dia, sol que nasce, estejamos esperando ou não. Melhor então seguir, mesmo que tateando os minutos e os momentos. Fazendo de cada instante nosso brinquedo de achar água no deserto, para cavar poços na aridez. Pois nossa crença é de que há um veio, uma fonte, um lençol de cristalinas esperanças no fundo de cada tentativa de acertar. Creia! Há cidades depois dos quilômetros de estrada, ainda que o futuro seja um espelho no escuro. Andar um pouco mais, a toda velocidade é tudo que podemos fazer num caminho, que ainda que tentemos, nunca saberemos onde vai dar. Aparentemente há definição, há rumo, há direção, mas nada está traçado, mesmo que as placas indiquem e os mapas mostrem. Somos livres para seguir ou não. Estamos vivos. Nossos olhos vão procurar em meio às trevas o lado em que a porta está. É próprio dos perdidos tentar as saídas. Mas estamos todos presos em nós mesmos. São inquietações, medos, pesadelos. Nossa mente... mente, engana, brinca, embaça... A lâmina de prata não reflete nas trevas, pois o futuro é um espelho no escuro, obscurecendo a visão dilatada, num esforço descomunal de enxergar além do abismo o que não existe. Só quem parte, que vai, que sai, que reamanhece é capaz de fazer os hojes, agoras e nunca os nuncas ou talvez. Não se agarra possibilidades, o que temos de seguro é a fé de prosseguir, de tentar, pra descobrir, de maneira louca, muitas vezes cruel, que o futuro, será sempre um espelho no escuro...     

 

Demerval Moreno – manhã de 16 de abril de 2006



Escrito por demer moreno às 14h34
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PARA UMA TERRA QUE MANA LEITE E MEL

... de repente, em meio a tantas expectativas e conjecturas, eis que aparece, como que do nada, alguém para me alimentar um sonho que maturava em minh'alma. Me faz o desafio e espera que eu o aceite. Paro, então, para refletir e resolvo me enclausurar por algumas horas em meu lar. Tenho necessidade dos meus amigos, mas acho que eles estão com seus próprios planos; e ali mesmo, em casa, ando pelo meu quintal cheio de plantas e árvores. Subo na mangueira e descubro centenas de abelhas fazendo uma colméia. Fico horas observando aquele movimento frenético. E penso: daqui uns dias aqui também o mel vai escorrer pelos galhos, até chegar ao tronco dessa mangueira que eu mesmo plantei. Já comi deliciosos frutos dela. Aceitar o convite do meu desafiador é deixar para trás tantas coisas que plantei. Mas há dentro de mim a fé que havia dentro do peito de Abraão, o homem que Deus desafiou deixar sua boa terra, para ir a uma outra "onde mana leite e mel". Ele foi, sem saber o caminho. Apenas confiando nas promessas do seu Senhor, que também é o meu. Tudo, agora mais que nunca, em meu quintal, na minha rua, na minha cidade, nos meus amigos, na minha mulher e nos meus filhos, tem outros significados. Tudo agora faz mais sentido do que jamais fez nesses anos todos. Terá chegado a hora de partir? Viajo nos ponteiros e, em círculo, passos pelos melhores momentos de uma história que escrevi sem perceber. A vida é assim...



Escrito por demer moreno às 12h48
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Imperfeitamente Eu

Se Deus tem um problema esse problema sou eu. Os bichos não são um problema para o seu criador. No entanto, nós... Faço parte de uma espécie imperfeita, que mata as outras e também se mata. Uma espécie que constrói coisas concretas sobre abstratos planos e se auto destrói sobre o concreto das suas causas efémeras. Tenho algo que mais ninguém tem. Uma coisa que me faz diferente e único, singular e próprio. É essa doença, dádiva da imperfeição, que me faz semelhante a seis bilhões de desiguais. É essa ironia que o destino trama que faz a gente compreender o outro... imperfeitamente o outro.



Escrito por demer moreno às 18h11
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A lápide de cada morte

Deletaram o Rubinho Barrichelo dos arquivos da Ferrari. Ele saiu da escuderia e saiu tarde. As portas só estavam abertas enquanto ele estava lá dentro, exatamente para que ele saisse. Apagaram o brasileiro da história italiana. Tiraram-no da cabeça, como se faz com um piolho. Talvez quizessem demiti-lo. Como ele fez isso com eles antes que fizessem com ele, agora passam a borracha sobre seu nome e ponto final. Que coisa! Também estou saindo de uma escuderia. Estou deixando minha querida Tv Difusora, por quem corri os ultimos seis anos. Tivemos muitos títulos. Para nossos telespectadores estivemos sempre em primeiro lugar. Na pole. Estou saindo porque não concordo com o novo modelo, a máquina que vai para as pistas em 2006. Um ano de muita competição. Vou para uma escuderia menor, mas vamos correr feito loucos. Espero que minha história seja a da Difusora. Afinal, fui apenas um personagem de seus tantos capítulos. Estamos saindo, enquanto podemos ainda escrever e falar. Pois o lápis e a borracha estão em nossas mãos.



Escrito por demer moreno às 20h32
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Sem Preconceitos

... é assim, botando e levando, que a gente descobre que viver é como uma relação homossexual: ou a gente come ou é comido. No trabalho, na política, nas amizades, nas relações sociais, tem sempre alguém fazendo de tudo para nos passar a perna e se dar super bem às nossas custas. Esse tipo de gente que escolhe o canibalismo profissional vai sempre beber o nosso sangue sem se preocupar se vai nos ferir ou não. Para quem tem um mínimo de princípio resta seguir pela vida de maneira dígna, respeitando as regras e os limites. Para quem não tem nada disso, resta-nos o consolo de que vai acabar na merda. É o destino de quem acha maravilhoso meter o pau por trás.  Um dia esse tipo encontra um da mesma espécie que vai fazer o mesmo com ele...



Escrito por demer moreno às 18h31
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Apenas uma aventura

Ah, essa louca vontade de saltar do avião... sem para-quedas; de soltar o trapézio sem nunhuma rede de proteção, para que a adrenalina crie dentro de nós a força de fecundar as asas que necessitamos para voarmos, aceitando o convite do vento para mais uma aventura rumo ao desconhecido. Não gosto dessas possibilidades que nos oferecem o chão como solução para nossas quedas. É muito cômodo, tão previsível. O que me fascina é a indescritível falta de noção do que possa nos segurar; desse perigo que se esconde dentro das buscas, dos sonhos; desse medo que se agasalha num lugar recôndito do nosso peito e nos excita a pular na água escura, na imensidão insegura, no amor que amargura, mas nos brinda com toda doçura e recordações pra sempre. Vamos lá, antes que o sol se ponha e o vento cesse. Enquanto é dia e o temor dos maduros, dos adultos ainda não tomou conta do nosso coração.



Escrito por demer moreno às 19h55
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Às vezes penso que preciso de um GPS para me localizar. Eita vida louca, caminhada desembestada essa que a gente corre. Ora estamos aqui, ora estamos ali. Dia desses cumprimentei meus vizinhos de manhã, na minha rua, e de noite já estava a setecentos quilômetros, passeando na litorânea da capital maranhense. O vento de lá é tão bom. Aqui, esse mormaço, tempo abafado, ruas sujas, cartão postal descolorido. E tome-lhe pau no prefeito. Agora mesmo na passagem de ano, em São Luis teve de tudo. Aqui, nada. Mas basta fazer uma graça e todo mundo esquece que não houve festa. Dificil vai ser ele esquecer das pauladas. Paulada quem dá é Paulo. Demervalzadas. Inesquecíveis. Vamos adiante. O ano está só começando. Não adianta querer segurar onda que a água escorre pelos dedos. O importante é saber que uma noite dessas a gente se esbarra e faz a farra! 



Escrito por dmoreno às 18h45
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ANDEI SEGUINDO MINHA SOMBRA

... andei encabulado com os ultimos acontecimentos, com tantas reações, com tantas cobranças, com tantas coisas. Andei desencantado com as letras. As histórias não andavam, não corriam sobre as linhas desse deserto de papel e então nada escrevi, nada tentei, nada inventei. Andei desiludido com a poesia,de mal com rimas, intrigado com sonetos, métricas. Por isso não parava por aqui. Nada melhor que uma manhã cheia de sol e brisa e beijo... e de repente tudo muda e muda tudo de lugar. A angústia sai do coração, a ansiedade deixa a cabeça, o estresse abandona os ombros e de novo, então a sombra passa a nos seguir e vamos em frente.



Escrito por dmoreno às 21h45
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DA SUA TORRE DE OBSERVAÇÃO

Ah, assim não dá! De onde você olha, as coisas vão sempre parecer o que não são. Ver outra coisa quando não é, é o mesmo que não enxergar. A marca de batom, não era o sinal de uma trangressão. As unhadas em minhas costas, não significaram uma cópula longe dos seus domínios. O perfume diferente, empregnado em minha pele, não é a essência de um romance proibido. A  impressão carmesim é apenas a marca de um gesto doce de uma amiga sincera, grata por uma atitude desprovida de maldade. Nas costas, um exame de corpo de delito, poderia restabelecer sua confiança, são hematomas causados pela lida deste operário de um porto que nunca para. O cheiro? Ah, o cheiro, são respingos de uma caixa de lavanda francesa, danificada no desembarque desse porto que não para nunca. O problema não está em mim. Como você ver as coisas, do seu ponto de vista, protegida pela parede do seu ciúme, é que muda toda idéia. Nem mesmo o que lhe digo tem a interpretação correta. E, assim, você vai vivendo de impressões. Erradas... 



Escrito por dmoreno às 20h20
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FUI AO FUTURO E SÓ VOLTEI PORQUE NÃO VI VOCÊ POR LÁ...

O futuro não é incerto agora. Ele sempre foi, desde o principio. Pelo menos comigo sempre foi, é ou vai ser assim. Quando estava sendo gerado, minha mãe não sabia se eu seria homem ou mulher. É que naquele tempo não havia ultra-sonografia. Depois que nasci e comigo as quase certezas, pintou aquela dúvida quanto ao meu futuro. Agora que cheguei ao inimaginável hoje, me deparo com esta cortina negra, noite escura intransponível. Construo então uma ponte feita de sonho e vôo sobre o manto costurado de trevas que nos impedem de vê um palmo diante do nariz e descubro o que me aguarda. O futuro é isso. Descubro o segredo do porvir e choro com sua ausência, meu bem. E faço o caminho de volta pelo vácuo do tempo para te trazer segredos que te permitirão também ultrapassar esse hoje que poderia ser o ultimo dia de nós dois, já que que você não estava lá. O futuro não vem, sinto te dizer. Nem o alcança quem espera. Somos nós que avançamos nos alimentando de doces manhãs, amargas horas, deliciosos momentos e saborosos instantes, servidos pelo icógnito presente, que nos brinda tão humildemente que quase passa despercebido. O futuro é um horizonte que não se pode atingir, é uma montanha que esconde o sol, e que jamais poderemos escalar. É andando sempre em busca que mantemos a esperança e a dúvida, combsutíveis da jornada eterna. Por isso não ti vi no meu futuro. Porque você ainda não havia compreendido que o sempre é para quem entendeu que o segredo de chegar lá, é aceitar o que vier e não o que se quer. Porque quem fabrica o porvir como deseja, descobrirá, muito tarde, que o certo nem sempre é como se planeja. Pegue a minha mão, meu amor, e vamos em frente, caminhando incansavelmente, cheio de incertezas, que é assim que é lindo, sabendo apenas, que se for bom, compartilharemos e se não for, valeu a pena... porque agora e sempre tudo é como não pensamos. 



Escrito por dmoreno às 23h09
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COM UMA ASA SÓ...

O sol já está alto, nuvens em flocos deslizam brisa abaixo, vento simples e leve bate em meu rosto como um carinho de Deus num pássaro que amanheceu sozinho, sobre um galho sem folhas, que insiste em se manter ligado à arvore. Resta agradecer. Olhar a vida deste ponto do tempo, loge do chão/longe do cume, é um privilégio de poucos. Uma asa quebrada é sinal de liberdade usufruida, da ousadia de ontem, da tentativa louca, da ação contundente. No mínimo, de um vôo mais arriscado. Não estou podendo voar agora, nesse instante. Preciso curar a asa ferida e aproveitar a beleza de uma manhã com mais escrúpulo. A solidão está em falta nesses dias irriquietos, barulhentos e eu a tenho só pra mim. Quando o sol voltar do oriente, quando fizer sua volta monotonamente espetacular, fazendo dia da noite de hoje, já poderei fazer um loop, um rodopio no ar, planar numa térmica, feito um Fernão Capelo Gaivota.



Escrito por dmoreno às 08h54
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O SUSTO

Com o Estados Unidos vendendo o medo para todo o mundo; com o Oriente Médio sempre desorientado; com o PT todo enrolado com as Farcs, não foi incomum acordar assim, assustado. Teria sido um tiro, o estampido que ouvi na minha rua? Havia alguém no telhado? Quem está rondando minha fortaleza? Que vulto foi aquele que as câmeras detectaram sobre o muro dos fundos da propriedade? Não poderia acordar se não espantado, depois de uma noite em que as coisas apenas anunciaram acontecer. Não ouvi falar da vítima do tiro ou da bala perdida que dispararam. O que soube é que eram crianças brincando com bombinha juninas em nossa rua pouco movimentada. No telhado era apenas o Lanoso, o bichano da minha vizinha, andando sobre o zinco da calha. Ao redor da nossa casa apenas as amiguinhas de minha filhota correndo afoitas atrás da galinha estressada com crianças tão levadas. A mancha negra em meio a noite, registrada pelo zoom do meu olhar, era apenas o primo preto do Lanoso em busca de uma ratazana ou de uma namorada para uma noite que só era o prenuncio de um terror em minha cabeça. O que me acordou, feito um tapa no rosto, me despertando para essa realidade tão cruel da cidade violenta, foi o beijo carinhoso de meu filho, que só deseja em seu coração pré-adolescente, outras noites na segurança da minha proteção. Um beijo apenas! Que também me assusta, por já não ser comum. 



Escrito por dmoreno às 08h34
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BRASIL, Nordeste, IMPERATRIZ, NOVA IMPERATRIZ, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Somali, Informática e Internet, Casa e jardim, explorar, acampar etc
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